Imagine só: você pega aquele chiclete de hortelã que adora, perfeito para refrescar o hálito ou aliviar o estresse do dia. Enquanto mastiga, saboreando a textura elástica, algo invisível e preocupante está acontecendo: centenas, às vezes milhares, de micro plásticos estão sendo liberados na sua saliva. É o que aponta um estudo recente apresentado na reunião de primavera da American Chemical Society (ACS). Esses pedacinhos de plástico, menores que um grão de areia, já invadiram nosso ar, água e comida — e agora, até o seu chiclete. Embora os cientistas ainda estejam investigando os efeitos completos, os sinais são alarmantes: inflamação, danos ao DNA e até riscos de doenças cardíacas estão no radar. A boa notícia? A exposição por chiclete é pequena. Mas será que vale repensar esse hábito tão comum?
Microplásticos: Pequenos Vilões em Todo Lugar
Se você ainda não conhece, microplásticos são fragmentos minúsculos de plástico — geralmente menores que 5 milímetros — que estão por aí, do fundo dos oceanos às montanhas mais altas. Eles aparecem quando plásticos maiores se quebram ou são liberados por produtos do dia a dia, como garrafas, embalagens e, sim, chicletes. O estudo da ACS mostrou que mastigar chiclete pode soltar até 637 microplásticos por grama. Como um pedaço típico pesa entre 2 e 6 gramas, cada mastigada pode liberar uma quantidade significativa dessas partículas na sua boca.
Feitos de polímeros — compostos químicos que dão elasticidade ao chiclete —, esses microplásticos não se degradam facilmente. Quando ingeridos ou inalados, podem se acumular em órgãos como pulmões, intestinos e até o cérebro. A ciência ainda não tem todas as respostas, mas já sabemos que eles podem causar inflamação crônica, estresse oxidativo e até aumentar o risco de problemas cardiovasculares. “Reduzir o consumo de chiclete é uma boa ideia”, sugere Lisa Patel, MD, professora de pediatria na Stanford Medicine. Vamos mergulhar nos detalhes do estudo para entender melhor.
O Estudo: Chicletes na Mira da Ciência
Lisa Lowe, doutoranda na Universidade da Califórnia, Los Angeles, liderou a pesquisa depois de notar microplásticos em produtos como saquinhos de chá e garrafas de água. “Queríamos explorar outras fontes que as pessoas consomem sem perceber”, disse ela à Health. A equipe testou 10 marcas populares de chicletes vendidas nos EUA — metade naturais, metade sintéticos. Os voluntários enxaguaram a boca com água deionizada para medir os microplásticos iniciais e, depois, mastigaram cada chiclete por 4 minutos (alguns por até 20 minutos). Amostras de saliva foram coletadas e analisadas com técnicas como agitação, centrifugação e filtração.
Os resultados? Surpreendentes: em média, chicletes sintéticos liberaram 104 microplásticos por pedaço, enquanto os naturais soltaram 96 — quase um empate. Isso derruba o mito de que “natural” é sempre mais seguro. Se você mastiga de 160 a 180 chicletes por ano, pode estar ingerindo cerca de 30.000 microplásticos só com esse hábito. E aqui vai um detalhe: 94% dessas partículas saem nos primeiros 8 minutos. Depois disso, a liberação diminui, o que significa que mastigar por mais tempo não aumenta tanto o problema.
Por Que os Chicletes Têm Microplásticos?

Simples: os polímeros são o segredo da mastigabilidade. Nos chicletes naturais, feitos de materiais vegetais, até 50% das partículas eram poliolefina, um plástico comum em embalagens. Já os sintéticos trazem uma mistura de PET, poliestirenos e borracha sintética. Sanjay Mohanty, PhD, professor de engenharia e líder do estudo, explica: “Nos chicletes, o alimento é o plástico”. Diferente de outros produtos, onde os micro plásticos são contaminantes acidentais, aqui eles são parte da receita.
Riscos à Saúde: O Que Está em Jogo?
Microplásticos já foram encontrados em pulmões, placenta, cérebro e intestinos humanos. Embora a pesquisa esteja em andamento, os sinais preocupam. Segundo Patel, essas partículas podem:
- Danificar o DNA e causar estresse oxidativo.
- Provocar distúrbios metabólicos, como resistência à insulina.
- Aumentar o risco de doenças inflamatórias intestinais.
- Contribuir para problemas cardíacos.
- Afetar fertilidade e o sistema nervoso.
A exposição por chiclete é baixa comparada a outros vilões, como saquinhos de chá, mas cada partícula conta. Reduzir onde possível é uma escolha sábia.
Devo Parar de Mastigar Chiclete?
Não precisa jogar tudo fora agora. Lowe lembra que microplásticos estão em todo lugar — no ar, na água, na comida. “Comparado a saquinhos de chá, o chiclete é um risco menor”, diz Mohanty. Ainda assim, se você é fã de mascar o dia todo, aqui vão algumas dicas:
- Reduza a frequência: Troque vários chicletes por dia por um ou dois.
- Mastigue menos tempo: A maioria dos microplásticos sai nos primeiros minutos.
- Descarte no lixo: Jogar chiclete no chão polui o solo e a água. Use a lixeira!
- Não engula: Chicletes sintéticos demoram anos para se degradar no corpo, enquanto os naturais se quebram mais rápido, mas ainda liberam partículas.
Patel vai além: “Quanto menos plástico usarmos, melhor para nossa saúde e o planeta.”
Alternativas para os Amantes de Chiclete
Quer mascar algo sem microplásticos? Veja opções:
- Gomas naturais: Feitas de cera de abelha ou resinas, podem ter menos polímeros.
- Balas sem plástico: Busque marcas com ingredientes naturais.
- Ervas: Mastigar cravo ou cardamomo refresca o hálito sem riscos.
Conclusão: Mastigue com Consciência
Mastigar chiclete pode ser um prazer simples, mas agora você sabe que ele carrega microplásticos. A exposição é pequena, mas cada escolha faz diferença. Que tal mastigar com moderação, descartar direito e reduzir plásticos no dia a dia? Seu corpo e o meio ambiente vão agradecer.

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